Redes sociais ajudam a enfrentar desastres naturais

 

 

Redes Sociais ajudam em desastres

Redes Sociais ajudam em desastres

“Oito casos suspeitos de crise aviária”.
“Três em uma segunda aldeia”.
“Suspeita de surto de gripe aviária em Stung Treng”.
“Fechar acesso à aldeia”.
“A escola está aberta?”
“Alguém tem carro?”

 

Essa corrente de mensagens de texto envolve funcionários da saúde, cientistas em trabalho de campo, policiais e aldeões. Eles estavam testando uma abordagem de rede social como forma de enfrentar um surto durante um exercício de planejamento para uma pandemia de gripe na província de Stung Treng, Camboja, em outubro passado.

Eles estavam ajudando a testar e refinar o GeoChat, parte do pacote de três ferramentas de software de código aberto que foram criadas para ajudar a responder melhor e mais rápido a surtos de doenças e desastres naturais.

O software foi lançado recentemente pela InSTEDD, uma organização sem fins lucrativos da Califórnia que desenvolve métodos inovadores de apoio em emergências, doenças e desastres. A organização surgiu em 2006, com doações de grupos filantrópicos como o Google.org e a Fundação Rockefeller, em Nova York.

O exercício de teste foi realizado em cooperação com a Rede de Vigilância de Doenças da Bacia do Mekong, criada em 1999 para divulgar dados sobre surtos e doenças entre os seis países da região – Camboja, China, Laos, Birmânia, Tailândia e Vietnã.

A InSTEDD também está testando o sistema no Centro de Controle e Prevenção de Doenças do Estados Unidos, em Atlanta, Flórida, e em clínicas de HIV na região rural da Tanzânia.

Coordenando a resposta

“A InSTEDD não começou seu trabalho supondo que determinada tecnologia seria a resposta. Eles se informaram sobre as necessidades práticas, os requerimentos, capacidades e limitações de infraestrutura, e depois voltaram ao laboratório para criar ferramentas dirigidas e úteis”, diz Karl Brown, diretor associado da Fundação Rockefeller.

O software foi projetado, por exemplo, para funcionar em áreas nas quais as conexões de internet sejam fracas ou inexistentes, mas nas quais o acesso a redes via celulares muitas vezes está disponível, diz Taha Kass-Hout, diretor mundial de saúde pública e informática da InSTEDD. O software também foi criado de forma a se conectar de maneira útil a quaisquer bancos de dados e sistemas de computador que os usuários tenham em operação.

O potencial das redes eletrônicas na resposta a desastres foi demonstrado repetidamente desde o tsunami do Oceano Índico, em 2004, quando blogs rapidamente se tornaram a principal maneira de coordenar a avaliação de dados, as operações de assistência e as ações de voluntários. Nas as organizações oficiais de assistência em caso de desastre são muitas vezes organizadas em linhas hierárquicas, diz Kass-Hout, e demoram a adotar ferramentas comunitárias de web e comunicação móvel.

Quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans, um ano mais tarde, a resposta lenta e descoordenada do governo foi vergonhosa se comparada ao trabalho de voluntários que usaram o Google Earth, o Google Maps, mensagens de texto e outros métodos eletrônicos para localizar pessoas desaparecidas rapidamente, coordenar a busca de abrigos e distribuir assistência.

Observando o quadro geral

O objetivo do novo software, diz Kass-Hout, é permitir resposta mais rápida e mais coordenada a surtos de doenças e desastres naturais. Para tanto, o GeoChat permite que os membros da equipe comuniquem sua posição e informações importantes via mensagens de texto, e-mails ou um navegador de web, com dados sincronizados instantaneamente para os celulares e laptops de toda a equipe.

O Mesh4X pode permitir a troca direta de dados entre diferentes bancos de dados e software. Assim, por exemplo, relatórios sobre casos de doença ou pedidos de cobertores e comida podem ser registrados pelo pessoal no local com o uso de seus celulares ou qualquer outro aparelho de comunicação, e todos os dados serão distribuídos aos grupos participantes, não importa quais sejam seus sistemas de bancos de dados – Microsoft Access, Oracle, MySQL ou planilhas como as do Microsoft Excel.

Mineração de dados

A última das três ferramentas, o Evolve, permite mineração automatizada de dados e visualização, o que ajuda a compreender o influxo de informações geradas pelas operações de resgate. Semelhante a um leitor de RSS, mas mais sofisticado, o Evolve agrega e seleciona automaticamente as informações de campo e reportagens, e-mails, telefonemas, fotos e outros dados relevantes.

O resultado pode ser distribuído a múltiplas agências, de forma a permitir que as autoridades decisórias identifiquem, e respondam, a eventos cruciais tais como a expansão de um núcleo de doenças respiratórias, ou os grupos de aldeões identificados como mais necessitados de ajuda em caso de um terremoto.

A InSTEDD está ajudando a reforçar a cooperação entre muitas das organizações envolvidas no projeto da Bacia do Mekong, diz o Dr.Yin Myo Aye, moderador regional do ProMED-mail, um programa de monitoração de doenças e emergências.

A InSTEDD pode contribuir muito ao facilitar a troca de informações, diz Firoz Verjee, pesquisador do Instituto de Administração de Crises, Desastres e Riscos, na Universidade George Washington.

Mas ele diz que tecnologia só não basta. Os maiores avanços só virão quando as operações humanitárias adotarem práticas e políticas de informação universais, entre as quais métodos mais sofisticados de avaliar as atividades humanitárias.

Fonte: http://www.terra.com.br – em 06/04/2009

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s